sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Uso da camisinha ainda é tabu entre muita gente

Por Lázaro Lamberth

O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou na última terça-feira (27/11), em Brasília, a nova campanha do Ministério da Saúde (MS) para o Dia Mundial de Luta contra a AIDS, comemorado anualmente em 1º de dezembro, desde 1987. Com o tema "O jovem e seu direito de exercer sua sexualidade e de usar preservativo" e slogan "Sua atitude tem muita força na luta contra a Aids", a campanha pretende afirmar os direitos do adolescente de viver sua sexualidade e de ter acesso ao preservativo e à informação.
Em comemoração ao Dia Mundial de Luta contra a Aids, o Arquivo Lamberth traz uma série de reportagens sobre um tabu que ainda intriga muita gente: a camisinha. Por que tantas pessoas, jovens e adultos, dispensam o uso do preservativo na hora da relação sexual? Quais os motivos que levam a tal comportamento? Quais as consequências e, principalmente, quem são as principais vítimas?
Para tentar responder esses questionamentos, levantamos os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde (MS) e recorremos à pisiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do ProSex - Programa de Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), que através de e-mail, respondeu algumas perguntas sobre a questão. O Arquivo Lamberth traz ainda dicas e sugestões de como usar os preservativos masculino e feminino, bem como um dos vídeos produzidos pelo MS em comemoração ao 1º de dezembro.
Acompanhe!

Mulheres e homossexuais são foco da campanha

Desta vez, o foco da campanha são mulheres e homossexuais da faixa etária de 13 a 24 anos, grupo mais vulnerável à contaminação, segundo dados do último Boletim Epidemiológico do MS. De acordo com a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do ProSex – Projeto Sexualidade, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), as mulheres aceitam sexo sem camisinha só para agradar aos homens. “Para o jovem que não tem experiência e teme fracassar, o uso da camisinha aumenta a possibilidade de falha, porque o garoto tem de parar o ato para vesti-la e, neste momento, tem medo de perder a ereção”, explica.

Mas o que a mulher tem a ver com a insegurança do parceiro? “A moça tem receio de, ao solicitar ou exigir que o parceiro use o preservativo, acabe provocando uma quebra no clima das preliminares”, esclarece a psiquiatra, acrescentando que tal situação é comum em casal jovem, quando está começando a atividade sexual. Porém, se todas as garotas mudarem o comportamento e passarem a exigir o uso do preservativo, os parceiros não terão outra escolha, a não ser aceitar e concordar. "É muito importante que as mulheres tenham um grau de consciência e saibam que se o uso do preservativo for um comportamento homogêneo, o rapaz fará disso uma prática e o uso da camisinha estará consolidado", observa.
O mesmo conselho se aplica aos homossexuais. Porém, o que torna a situação preocupante para alguns gays é a pluralidade de parceiros sexuais, o que aumenta o risco de contaminação. Segundo o Boletim Epidemiológico, Salvador é a sétima cidade no ranking nacional de notificações de doenças sexualmente transmissíveis (DST’S) e Aids. Dos 10.999 casos registrados em 2006, 7.224 são indivíduos do sexo masculino, para 3.775 mulheres. Para Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), um dos motivos que levam o gay a dispensar o preservativo da hora da relação sexual tem a ver com a homofobia e a intolerância da sociedade.
Na opinião de Marcelo, “as interdições que os gays enfrentam no cotidiano fazem com que eles, em relação ao sexo, entrem em um processo de desrepressão sexual selvagem e dispensem o preservativo na hora da relação”. Como combate à postura cultural de muitos homossexuais em relação à camisinha, o presidente do GGB defende que as ações de combate à AIDS sejam vinculadas ao combate à homofobia e resgate da cidadania da população GLBT.
Por outro lado, nem todo gay “libera geral” quando o assunto é sexo sem proteção. O funcionário público Patrício Rocha[1], hoje com 33 anos, teve a primeira transa aos 21 e de lá pra cá, declara ter usado camisinha em todas as ocasiões, à exceção de duas. “A primeira vez aconteceu com uma pessoa por quem estava apaixonado há quase dez anos. Quando a oportunidade surgiu, não pensei duas vezes. Daí me perguntei: faço sem ‘camisa’ ou continuo esperando por mais dez anos? [risos]. A segunda vez rolou com um carinha bem sexy e como eu estava carente, topei fazer, mesmo sabendo dos riscos”, confessa Patrício, que, reconhecendo o vacilo cometido, faz exames periódicos para se certificar se tudo segue bem com a saúde.
O engenheiro Ricardo Lula, 25 anos, perdeu a virgindade aos 13 com uma mulher mais velha, e é outro que declara usar o preservativo em “todas” as relações. “Depois da última vez que tive relação sem camisinha, fiz um teste”, afirma Ricardo, que aponta a quebra do clima das preliminares e a diminuição do prazer como principais motivos que o levou a dispensar o uso do preservativo. “É literalmente como chupar bala com papel”, exclama.
Patrício e Ricardo retratam o perfil de muitos brasileiros, que declaram usar o preservativo, mas uma vez ou outra abaixam a guarda. Isso evidencia que ninguém está 100% seguro, uma vez que situações como as mencionadas acontecem diariamente com a maioria das pessoas, independente de ser solteiro(a) ou casado(a), homossexual ou heterossexual. Uma única vez sem camisinha pode ser o suficiente. Assim, para efeito de prevenção do HIV, o que importa é transar de forma segura.
Nota: [1] O nome foi mudado a pedido da fonte.

Um preservativo que tinha tudo para dar certo

Embora a camisinha seja um preservativo de fácil utilização e comprovada eficiência na prevenção de gravidez, AIDS e outras DST’s, seu uso entre os adolescentes ainda é tabu. A inibição continua sendo um fator importante quando pesquisadas as resistências dos jovens ao consumo dos preservativos. Um levantamento realizado pela Rede Cidade Criança, de Aracaju-Se, revelou as principais razões que os jovens apresentam para não usar preservativo. (Veja o quadro baixo)

As pesquisas indicam ainda que muitas pessoas perpetuam o comportamento sexual adotado na adolescência pelo resto da vida, o que justifica a temática da atual campanha do MS para o Dia Mundial de Luta contra a Aids, bem como a implementação de programas educativos destinados aos jovens.

Para José de Jesus, 24 anos, que teve a primeira relação sexual aos 14, em certas ocasiões é necessário o uso do preservativo. Questionado sobre o que quer dizer com “certas ocasiões”, o mesmo foi categórico. “Depende muito da pessoa com quem estou indo pra cama. Por exemplo, não costumo usar camisinha com pessoas conhecidas, com quem mantenho relacionamento estável. Porém, com desconhecidos sempre uso”, explicou.

Já para Juliano Santos, 25, que declara ter múltiplas parceiras, a situação é ainda mais séria. “Eu odeio camisinha! Só uso quando não tem jeito mesmo”, exclamou, alegando que o látex dos preservativos, além de irritar a pele, atrapalha a sensação de prazer derivada de transar sem camisinha. Juliano transou pela primeira vez aos 16 anos e de lá pra cá, afirma lembrar as poucas vezes que usou camisinha na relação.
A situação de José e Juliano tipifica o descaso de muitos jovens brasileiros em relação à própria saúde. As conseqüências de tal comportamento não é novidade: gravidez, DST, Aids. O Dia Mundial de Luta contra a Aids está aí para mostrar a população que a velha, conhecida e equivocada frase “transar com camisinha é como chupar bala com papel!” não serve mais como desculpa para deixar de usar o preservativo nas relações sexuais.
Confira abaixo um dos vídeos produzidos pelo MS para a Dia Mundial de Luta contra a Aids

Principais razões apresentadas pelos jovens para não usar preservativos, segundo reportagens publicadas pelos veículos teens nos últimos meses



  • Inibição - seja na hora da compra, seja na de utilizar;
  • Medo de quebrar o clima e o parceiro desistir da "transa";
  • Redução do erotismo e do prazer;
  • Romantismo e confiança ("com uma pessoa tão especial não preciso usar", "confio no meu namorado");
  • A excitação acontece e não há preservativos à mão;
  • Associação do preservativo apenas à contracepção ("agora tomo pílula, então não preciso mais da camisinha");
  • Medo de perder a ereção (no caso dos homens);
  • Medo de parecer uma garota vulgar ou promíscua (no caso das mulheres);
  • Desinformação quanto aos comportamentos de risco e às formas de prevenção;
  • Autoconfiança ("a doença não vai me atingir", "isso nunca vai acontecer comigo");

Os especialistas completam a lista:

  • Sentimento de culpa (a presença do preservativo representa ter que assumir por completo a sexualidade);
  • O estímulo erótico de nossa cultura, reforçado pela mídia, faz a primeira relação sexual acontecer cada vez mais cedo.

Aprenda a usar o preservativo masculino

Coloque a camisinha com o pênis ereto, antes que ele toque a vagina. Isso deve acontecer desde o início do ato sexual, já que existe a eliminação de um fluido pré-ejaculatório com quantidades suficientes de espermatozóides para que ocorra a contaminação ou a fecundação. Portanto, mesmo sem ejacular dentro da vagina, só com o líquido que deixa o pênis "molhado", já pode ocorrer gravidez ou a contaminação pelo vírus HIV.Abra a embalagem com cuidado - nunca com os dentes - para não furar a camisinha.Coloque a camisinha somente quando o pênis estiver ereto.

Desenrole a camisinha até a base do pênis, mas antes aperte a ponta para retirar o ar.Só use lubrificantes à base de água, evite vaselina e outros lubrificantes à base de óleo.


Após a ejaculação, retire a camisinha com o pênis ainda duro, fechando com a mão a abertura para evitar que o esperma vaze da camisinha.

Dê um nó no meio da camisinha e jogue-a no lixo. Nunca use a camisinha mais de uma vez. Usar a camisinha duas vezes não previne contra doenças e gravidez.

Aprenda a usar o preservativo feminino


Para colocar a camisinha feminina encontre uma posição confortável. Pode ser em pé com um pé em cima de uma cadeira; sentada com os joelhos afastados; agachada ou deitada. Segure a argola menor com o polegar e o indicador.

Aperte a argola e introduza na vagina com o dedo indicador.

Empurre-a com o dedo indicador

A argola maior fica para fora da vagina, isso aumenta a proteção.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Pistoleiros invadem e agridem a Comunidade Negra de Cairu, em Salinas das Margaridas

Na madrugada do dia 27 de novembro, por volta das 04h30min, cerca de 12 homens fortemente armados invadiram a comunidade de Cairú, no município de Salinas das Margaridas, para derrubar as casas. Foram direto para as habitações da Comissão de lideranças da área. A ação foi extremamente violenta, sendo que um dos capangas apontou a arma para um dos coordenadores, a fim de intimida-lo. Outros dois moradores foram algemados; um dos capangas deu tiros para o alto; vários comunitários foram agredidos física e verbalmente, inclusive com violência contra menores.
Enquanto isso, várias moradias foram derrubadas. A ação criminosa estendeu-se por várias horas até que por volta das 09:00min os capangas evadiram-se da comunidade. Segundo os moradores, os “capangas” se identificaram como policiais civis. A placa de um dos carros utilizados na ação é: JPE 7649, um Ford Fiesta azul marinho. Os outros automóveis estavam sem placa.
Além da derrubada das casas, foram roubados aparelhos de dvd´s, carteiras, valores em dinheiro e outros bens dos ocupantes. O suposto proprietário da área, Marcos Ramires, proprietário da M.R. Empreendimentos Imobiliários, já havia realizado, no dia 22/11, incursão dentro da comunidade, auxiliado por quatro homens fortemente armados, que, de acordo com testemunhas, pegaram as armas no fundo do carro do Sr. Marcos. Na saída, os moradores foram ameaçados.
Vale ressaltar que aquela área, em torno de Santo Antônio de Jesus, é marcada pela presença institucionalizada de grupos de extermínio e a ação, pela forma como foi feita, se assemelha a um ato de um grupo deste tipo. Teme-se que voltem para ações mais violentas ainda contra a Comunidade ou seus líderes.
No início das ações, a Comunidade ligou para a PM, mas uma ronda do órgão informou à central que nada estava acontecendo no local. Então, a comunidade organizou-se e pôs fogo em um dos carros utilizados pelos pistoleiros. Só então a Polícia Militar foi forçada a ir ao local, e pelas informações prestadas por moradores, a PM conseguiu pegar um dos carros com seus ocupantes, que foram conduzidos à delegacia de Salinas. Entretanto, o Delegado de Salinas colocou várias dificuldades para que os Comunitários prestassem queixa e as informações são de que a PM soltou os acusados.
Em relação à área, existe suspeita de que tenha sido alvo de grilagem. Acredita-se que seja terra devoluta (de competência do Estado da Bahia, por meio da Coordenação de Desenvolvimento Agrário – CDA) ou mesmo terra da União. Existem fortes indícios de que a documentação do território apresentada pela R.M. Empreendimentos seja fraudulenta e de que esta empresa representa os interesses de Wilson Pedreira, ex prefeito, atual candidato e cacique político da região.
A Comunidade de Cairu é uma Comunidade Negra Rural, com características acentuadas de remanescente de quilombo. Trata-se de uma comunidade tradicional, que tem na pesca, na pequena agricultura familiar e no extrativismo da floresta as suas principais fontes de subsistência. Historicamente, a Comunidade tem seu território suprimido pela ação dos grileiros, que se utilizam da força para expulsar membros da comunidade do território.
Desde que a comunidade não mais se submeteu à pressão dos grileiros tem sofrido uma série de retaliações e intensificado os conflitos. É inadmissível que ainda existam grupos paramilitares, armados a mando de latifundiários, agindo livremente contra populações nativas e que lutam pela garantia de seus direitos. É dever do Estado agir com máximo de rigor para que este tipo de situação não se repita.

Diante deste quadro, solicita-se a todos que acessarem esta mensagem, divulguem para dar visibilidade ao caso e que enviem e-mail e fax para as autoridades de maneira a evitar a impunidade e garantir o direito e a segurança da comunidade. As mensagens podem ser enviadas para:
POLÍCIA CIVIL
Secretaria de Segurança Pública
POLICIA MILITAR
Comando Geral da PMBA Cmt Geral
Cel. PM Antônio Jorge Ribeiro de Santana
Gabinete do Cmt Geral: (71) 3117-4414 / 3117-4410 / 3117-6162
MINISTÉRIO PÚBLICO
Procurador Geral: pgj@mp.ba.gov.br
Promotoria de Nazaré (Comarca responsável pela área)
FUNDAÇÃO PALMARES
Presidência: Zulú AraújoSecretaria e Naiara Fernandes Jaime
Telefone: 61-3424-0137Fax: 61-3326-0242
Representação da Fundação Cultural Palmares / Bahia
Representante: Luciana Mota / (71) 3322-3488 / 3322-3488
Endereço: Rua Visconde de Itaparica, nº 08 - Barroquinha - Salvador - CEP: 40.020-080
Enviado por: Josilene Nascimento Passos (josilenepassos@yahoo.com.br)

Matéria publicada

Para quem conseguiu pegar o Bahia Notícias, edição nº 22 (23/11), não deixe de conferir a página 15. Na página "Sou Repórter", destinada exclusivamente a matérias produzidas por estudantes de jornalismo, há uma matéria minha publicada sob o título "Governo prevê qualificação para deficientes".

Caso não tenha conseguido o jornal, confira a edição virtual http://www.jornalbahianoticias.com.br/22ed_jornal.html

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Valeu Zumbi!


O Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, será feriado em 267 municípios de 12 estados, segundo levantamento da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). A data lembra a morte de Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra à escravidão, assassinado em 20 de novembro de 1695.

"Zumbi representou a idéia de liberdade e a possibilidade de criação de um território livre dentro de um país que, na época, era colônia de Portugal", ressaltou Oliveira Silveira, membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e um dos idealizadores da celebração de 20 de novembro.

A ministra Matilde Ribeiro, da Seppir, ressaltou a importância de os brasileiros conhecerem a contribuição do negro para a formação do país. "O dia 20 de novembro tem uma marca de um processo de luta muito antigo que vem desde a escravidão e está presente nos nossos dias atuais", disse a ministra.

"O que considero muito importante para nós brasileiros - sejamos negros, brancos, indígenas - é que possamos perceber a importância da contribuição que os negros e os indígenas trouxeram aos demais grupos raciais no Brasil e que essa contribuição tem que ser cada vez mais valorizada", completou.

O balanço divulgado pela secretaria mostra que, entre os municípios que adotaram a data como feriado, estão União dos Palmares (AL), Manaus (AM), Flores de Goiás (GO), Itapecerica (MG), Cuiabá (MT), Marabá (PA), Dona Inês (PB), Macaparana (PE), Rio de Janeiro (RJ), Vilhena (RO), Pacatuba (SE) e São Paulo (SP). No ano passado, o número de municípios que instituíram o 20 de novembro como feriado era menor: 225.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Acessibilidade, onde queremos chegar?


11º SEMINÁRIO SOBRE ACESSIBILIDADE E CIDADANIA DE SALVADOR:

ACESSIBILIDADE, ONDE QUEREMOS CHEGAR?


A Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador e colaboradores têm o prazerde convidá-las (los) para o 11º Seminário Sobre Acessibilidade e Cidadaniade Salvador, a ser realizado no dia 03 de dezembro das 8:30 às 18 horas, no auditório tropical do hotel Tropical da Bahia (Rua 7 de setembro, nº 1537,Campo Grande). FICHA DE INSCRIÇÃO poderá ser obtida através dos e-mails abaixo. Confirme sua inscrição com antecedência por fax, telefone ou e-mail.Os(as) primeiros (as) inscritos (as) terão seu almoço garantido (número limitadoe com prioridade para as pessoas com deficiência).


Secretaria do evento - Contatos: EDMUNDO XAVIER & ADILMA SANTANA(tel 3321 4808 fax 3322 0711 ou e-mail seminario.acessibilidade07@gmail.com) Local do Evento: Hotel Tropical da Bahia, n° 1537 Campo Grande 8:30 às 18H. Cocas - Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador11º Seminário de Acessibilidade e Cidadania: Acessibilidade, onde queremos chegar?


Contatos:Tel: 71-3321.4808. Fax: 71-3322.0711E-mail: seminario.acessibilidade07@gmail.com
adilma@vidabrasil.org.br, vbsalvador@grupos.com.br

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Abuso Sexual: o perigo está dentro de casa

Por Lázaro Lamberth

"Ele me tirou o direito de levar uma vida normal". É dessa forma que o estudante de Direito, Diogo Santana[1], hoje com 21 anos, se refere ao irmão mais velho, que o abusou sexualmente durante a infância. Diogo descobriu-se homossexual no início da adolescência e acredita que os abusos sofridos foram determinantes na sua definição sexual.

Embora o caso acima seja atípico entre as estatísticas de abuso sexual contra a criança e o adolescente — uma vez que as principais vítimas são crianças do sexo feminino — revela uma tendência perigosa e desconhecida por muitos pais: a de que os agressores, em sua grande maioria, são pessoas da própria família ou outras conhecidas pelo menor.

Segundo o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan – Cedeca, as constatações médicas e queixas apresentadas à Justiça evidenciam que grande parte dos autores de agressão sexual são do sexo masculino e que, embora os meninos também sejam vítimas, o abuso sexual é cometido principalmente contra meninas.

Quando um adulto usa uma criança ou adolescente para satisfazer seus desejos sexuais, através de carícias nos órgãos sexuais, relações sexuais, sexo oral, anal, ou mesmo propostas de conotação imoral, está cometendo crime hediondo, de acordo com o art. 217 do Código Penal Brasileiro. O Estatuto da Criança e do Adolescente, através da Lei 8069/90, prevê no art. 244, pena de seis a dez anos de reclusão.

Segundo especialistas em direitos da criança e do adolescente, abuso é qualquer forma de violência que se manifeste de forma física, sexual e psicológica. Entretanto, dos três, o abuso sexual é o que mais agride emocionalmente a vítima. “Consiste no mais difícil tipo de violência, pois acarreta cicatrizes emocionais pelo resto da vida”, avalia o estudante citado no início desta matéria, que não teve coragem de denunciar o autor da agressão, por se tratar de alguém da família.

O fato da maioria dos casos de abuso ocorrer na própria família, praticado geralmente por pai, tio, avô, irmão, primo, padrasto, ou qualquer outra pessoa de conhecimento e confiança da criança, torna-se uma grande barreira na descoberta e resolução dos crimes. Outra idéia pré-estabelecida é a de que somente os homossexuais abusam sexualmente de crianças do sexo masculino. "Isso não é verdade", declara a psicóloga Kátia Queiroz. "A maioria dos homens agentes de agressão sexual sustentam ter práticas exclusivamente heterossexual", ressalta Queiroz.

Como os pais podem proteger os filhos desta ameaça? Quais os indícios de que uma criança está sendo vítima de abuso sexual? Como denunciar o agressor? Essas são as principais questões levantadas quando se fala em abuso sexual contra criança e adolescente. Segundo o Cedeca, existem algumas pistas que facilitam o processo de identificação de uma violência sexual e podem ser divididas em fatores físicos, sexuais e comportamentais. (veja o quadro)

COMO OS PAIS PODEM PROTEGER OS FILHOS:

A responsabilidade principal de proteger a criança contra abuso é dos pais e não delas mesma. Assim, o primeiro passo é se informar sobre o assunto e depois passá-lo para os filhos. Segue abaixo alguns indícios ou sintomas geralmente apresentados pela criança quando é abusada sexualmente.
Físicos:

Dilatação do hímen
Doenças sexualmente transmissíveis
Dores na região genital e abdominal
Gravidez
Infecções
Sangramento
Sexuais:

Comportamento sexualmente explícito ou embotamento sexual
Conhecimento sexual não condizente com a fase em que o menor se encontra
Masturbação excessiva

Comportamentais:

Agressividade ou apatia extrema
Aparência desleixada
Auto-agressão
Choro constante sem causa aparente
Depressão
Distúrbios alimentares
Distúrbios do sono
Fuga de casa
Isolamento
Medo
Pensamentos e tendências suicidas
Preocupação exagerada com a limpeza corporal
Queda no rendimento escolar
Embora tais sintomas não devam ser determinantes na avaliação de que uma criança esteja sendo vítima de abuso, é importante estar atento principalmente às mudanças de comportamento ou humor, pois dificilmente a criança toma a dianteira em denunciar a agressão, por medo, vergonha, ou pelo simples fato da mesma ser praticada por alguém da família.


ONDE DENUNCIAR:

CEDECA - CENTRO DE DEFESA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Rua Gregório de Matos, PelourinhoTel.: (71) 3321-5202 / 3321-5196.

DERCA - DELEGACIA DE REPRESSÃO AO CRIME CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE
Rua Pitangueiras, Brotas.
Tel.: (71) 3316-2151 / 3381-8431/ 3381-4076

[1] O nome foi mudado.

Quem sou eu

Minha foto
Salvador, Bahia, Brazil
Jornalista

Sobre o blog

Neste blog você encontrará um pequeno acervo dos trabalhos e textos que desenvolvi para algumas disciplinas do curso de Jornalismo, bem como comentários, críticas e reflexões sobre assuntos da atualidade. Seja bem vindo!

Porque Lamberth

As pessoas me perguntam o porquê do sobrenome Lamberth, uma vez que o mesmo não integra o meu nome oficial, Lázaro Britto dos Santos. Pois bem, Lamberth surgiu da brincadeira de uma amiga que, por gozação, só me chamava de Lázaro Lamberth. A brincadeira pegou, a sonoridade combinou e em decorrência, fiquei mais conhecido pelo sobrenome Lamberth do que Britto. Além disso, adotei o Lamberth devido ao enorme carinho que tenho pela madrinha do mesmo.

Indicação da Semana

"A Nova Mídia", de Wilson Dizard. Vale a pena!!!

Devo mudar o nome do meu blogger?


Um Pedaço de Mim

UM PEDAÇO DE MIM é uma Biografia de Auto-ajuda com 127 páginas que escrevi em 2003 sobre minha experiência na luta contra um tumor maligno no joelho. Na época, fui operado e tratado no Hospital Aristides Maltez (de Salvador-Bahia), pelos médicos Alexandre Machado Andrade (especializado em Ortopedia Oncológica) e Maria Giselda N. Rocha (especializada em Oncologia Clínica). Hoje, após anos de lutas e vitórias, encontro-me curado e meu interesse em passar para o papel minha experiência foi pelo simples desejo de usá-la para orientar e encorajar outros que estejam lutando contra o câncer.

Veja o release da obra abaixo:


Por Neuza Leite

Um Pedaço de Mim é um livro simples, de autoria amadora e produção independente. Conta a história de um jovem que, aos 19 anos, descobriu um tumor ósseo no joelho. A obra mostra de forma clara e realista que a vitória sobre o câncer ainda é algo imprevisível, pois, ainda existem algumas formas da doença em que bem pouco pode ser feito, apesar do grande avanço da medicina em diagnosticar e tratar o paciente.

Por outro lado, quando se trata de nossa vida, toda e qualquer batalha sempre vale a pena! Esse senso de valorização pelo que de direito é nosso, é justamente o que o autor procura passar para seus leitores – e de certo modo – ele atingiu seu objetivo, pois seu livro ensina-nos de forma ímpar e magistral, como amadurecer com as adversidades, a enfrentar as perdas, as deficiências e os contratempos que uma enfermidade nos apresenta.

Um Pedaço de Mim revela-nos seus métodos utilizados no combate à doença, bem como o que ele sugere de natural, espiritual e psicológico a uma pessoa que esteja lutando ou auxiliando "entes queridos" na luta contra esta implacável doença. O livro é composto também de cinco anexos que relatam um breve histórico do câncer; como surge, principais tipos, causas, fatores de risco, prevenção e formas de tratamento médico e psicológico aos pacientes afligidos pela doença.
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